27/01/2012 - Roberto Nicolsky
Inovar é imperativo. Com essa mensagem, Marco Antonio Raupp assumiu o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Mas cabe a reflexão sobre como a pasta pretende estimular a atividade. Para Raupp, é preciso levar a ciência para dentro das empresas. Porém, a ciência tem seu lugar nas universidades. E a inovação, na indústria. Os dois sistemas podem e devem interagir em circunstâncias específicas, mas isso não é pré-condição para o desenvolvimento tecnológico.
A infinita maioria das empresas precisa de inovações simples, de melhorias de produtos ou processos. Para isso, requerem apoio técnico, profissionais de qualidade e recursos financeiros. A estrutura da universidade, assim como o conhecimento científico, pouco ou raramente pode ajudá-las. Isso ocorre apenas quando a empresa pretende desenvolver uma nova tecnologia, um novo paradigma tecnológico. Ou ainda quando, circunstancialmente, precisa esclarecer algo que não domina, fazer algum teste em equipamento que não possui, ou obter um conhecimento de domínio de um pesquisador acadêmico.
Já falamos aqui em diversos editoriais e artigos sobre a diferença entre ciência, tecnologia e inovação. A primeira trata da geração de conhecimentos avançados, sem obrigatoriamente serem incorporados ao cotidiano das pessoas. A segunda se refere ao modo de produção de algum bem ou a solução de algum problema prático. A inovação, por fim, é a novidade que se agrega a uma dada tecnologia para melhorar o seu desempenho ou a aceitação do consumidor, e ela não precisa ser uma grande descoberta. Pequenos aperfeiçoamentos em produtos, processos, gestão ou em uma tecnologia consistem em mais de 99% das inovações.
Do ponto de vista da Protec, o Ministério deve pensar políticas distintas para a ciência e para a inovação tecnológica. Esta última merece foco na indústria, numa abordagem universal, que privilegie o retorno econômico produzido por inovações direcionadas para o mercado. É assim que se gera emprego e renda. Acreditamos no forte potencial deste ajuste fino nas políticas para a área. Feito isso, todas as propostas muito acertadas tendem a funcionar, como a criação da Embrapii, a formação de recursos humanos qualificados - especialmente nas engenharias - e o aumento da verba para fomento.